A Transformação Digital e o Desafio da Colaboração e da Autonomia

As metodologias ágeis vieram para ficar. Cada vez mais empresas estão mudando sua forma de funcionar para se adequarem ao novo estilo “digital”, como está se convencionando chamar. E não apenas empresas de tecnologia e nem apenas as áreas de tecnologia das empresas, mas diversas áreas de empresas de áreas diversas estão aderindo a essa nova onda.

Uma boa parte do orçamento dessas empresas está sendo alocada para treinamento nas metodologias ágeis e em processos de inovação e criação de novos produtos.

Com isso, as empresas têm mudado sua forma de gestão, pois as metodologias ágeis exigem equipes multidisciplinares horizontais, com profissionais que colaboram entre si a partir de um lugar de autonomia.

E aí surge um grande desafio: como trabalhar com autonomia e colaboração, numa cultura empresarial hierarquizada?

A estrutura de poder hierárquica ainda está muito arraigada na cultura das empresas, nossa forma de funcionar como grupo ainda é muito determinada pela hierarquia. Por outro lado, os jovens, que estão começando a ocupar espaço nas empresas, trazem em si uma maneira diferente de lidar com as estruturas de poder. Eles cresceram com mais independência e autonomia para aprender, pois estão acostumados a buscar informações rapidamente e por si mesmos no vasto mundo da web e ficam muito desalentados quando chegam na empresa e passam a lidar com uma estrutura hierárquica mais rígida. Além disso, ter autonomia significa ser responsável pelo que se faz e arcar com as consequências, algo que ainda precisa ser aprendido por muitos jovens em início de carreira.


Trabalhar com colaboração e autonomia exige novas habilidades que vão além do que se aprende nos treinamentos em metodologias ágeis.


Mas, o que significa trabalhar de forma colaborativa? Todo mundo tem que decidir tudo, todos juntos? Isso levaria a um certo caos, a uma demora nas decisões e, muitas vezes, a conflitos e, até mesmo, inoperância.


Então surge a questão: como podemos nos organizar como grupo, de forma inteligente, de maneira a aproveitar o potencial de cada um em prol dos objetivos do todo? Como fazer isso sem sermos lentos nas decisões e ações? Como respeitar e conciliar as vontades de cada um, sem levar ao caos e aos conflitos?


A dificuldade inicial tem a ver com a estrutura de gestão, sobre como nos organizamos como grupo. E aqui persiste uma falta de clareza sobre o que é trabalhar em grupo, o que é gestão compartilhada e o que é autogestão. Sobre quem é responsável por decidir o que e quando e sobre como delegar responsabilidades.


Outro aspecto importante a considerar é que para sustentar a estrutura de gestão colaborativa, é importante que as pessoas envolvidas aprendam a trabalhar com processos colaborativos de reunião, de tomada de decisão e de delegação. Mas para que esses processos caminhem bem, é preciso desenvolver habilidades relacionais essenciais como escuta empática, comunicação franca e respeitosa e saber distinguir o que é fato do que é opinião pessoal ou julgamento. E para sustentar essas habilidades relacionais na prática, é fundamental que cada um trabalhe no seu autodesenvolvimento, aprendendo a reconhecer, admitir e aceitar suas luzes e suas sombras, se tornando aprendiz de si mesmo.



Para que uma organização que queira trabalhar de maneira menos hierarquizada seja bem-sucedida, precisa trabalhar o desenvolvimento de seus integrantes nesses 4 âmbitos. Isso requer um esforço contínuo de desenvolvimento, que traz seus frutos com mais clareza dos papéis de cada um, com decisões mais rápidas e que geram mais comprometimento de todos, com relações mais harmônicas e com pessoas mais autênticas e responsáveis.